
Em seu discurso de vitória, o presidente Lula (PT) afirmou ontem (25) que precisou vencer a “intromissão” das plataformas digitais e prometeu a regulação das big techs.
“Essa eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais. Nós vamos ter que regulá-las”, disse Lula.
O petista criticou o poder de direcionamento eleitoral de grandes corporações de tecnologia e defendeu que “o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real”, sinalizando uma agenda firme de regulação tributária e de combate às fake news em sua futura gestão.
“Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande [porte], ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para este país e tentando direcionar o resultado eleitoral”, disse Lula.
A Meta e as eleições
Em 16 de outubro, a Meta admitiu que sua ferramenta de inteligência artificial bloqueou a geração de material de campanha em favor de Lula (PT) e liberou a mesma tecnologia para Flávio Bolsonaro (PL), como revelado pelo UOL.
“O incidente envolvendo a Meta AI em 14 de outubro resultou de uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político”, afirmou a empresa.
“Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos —incluindo ‘Lula’, ‘Luiz Inácio Lula da Silva’, ‘Bolsonaro’ e ‘Flávio Bolsonaro’—, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral”, prosseguiu.
“Como resultado, alguns prompts que usavam ‘Flávio’ com seu número podiam gerar imagens de cartazes. A mesma lacuna afetava o outro candidato: prompts que usavam ‘Luiz’ com o número de Lula também podiam gerar imagens de cartazes. Bloquear isoladamente nomes comuns como ‘Flávio’ ou ‘Luiz’ impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas. Corrigimos essa lacuna no mesmo dia”, informou a Meta.
Em nota, a Meta afirmou que “não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político”.
A empresa informou que a conta de anúncios da campanha de Lula “foi desativada por engano por pouco mais de 1 hora, e não por razões políticas”.
A situação aconteceu em 23 de setembro, segundo a Meta, “após um anúncio ter sido classificado como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes”.
A empresa americana disse que “há muito tempo, alerta que as regras rígidas do Brasil para conteúdo digital aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão”.
“Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros”, completou.
Fonte: UOL