
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) lançou sua pré-candidatura ao governo do Ceará neste sábado (16), chamando seus adversários de frouxos e endurecendo o discurso sobre segurança pública, com promessas de combater facções criminosas no estado.
“Hoje o povo do Ceará vive falando baixo, vive capiongo [triste] olhando para o lado, com medo, aterrorizado, humilhado pelas facções criminosas”, afirmou em ato no bairro Conjunto Ceará, periferia de Fortaleza.
Sem fazer referência ao governador Elmano de Freitas (PT), disse que existe uma “omissão quase absoluta” das autoridades do estado no enfrentamento ao crime. “O Ceará está passando muito mal. Já se disse que o fraco líder faz fraca a forte gente. É exatamente do que se trata.”
O evento de lançamento da pré-candidatura contou com a presença de aliados como o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) e do ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), antes adversários de Ciro.
No ato, o tucano confirmou o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) como candidato a vice e elogiou o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), potenciais candidatos ao Senado.
Ciro prometeu combater facções criminosas e chegou a se exasperar ao avistar uma pessoa no público fazendo um suposto gesto associado a uma facção com as mãos. “Meu irmão, você está querendo ser preso? Vai começar aqui. O cara está fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele.”
Na sequência, o eleitor explicou que era um mal-entendido e que tinha feito apenas o “C de Ciro” com as mãos. O ex-ministro emendou: “Desculpa aí, é que eu sou vigilante. Comando Vermelho aqui vai para a cadeia”, afirmou.
Com a candidatura no Ceará, Ciro busca reconstruir capital político a partir da sua base eleitoral. Para se reposicionar no jogo político, ele tenta amarrar uma unidade entre os partidos da oposição, incluindo até mesmo o PL de Jair Bolsonaro.
Ele chegou a afirmar que tem diferenças com os novos aliados e disse que a união foi firmada em torno da defesa do Ceará.
“Creio não precisar me reapresentar para ninguém. Será de muita má-fé quem quiser me reapresentar como bolsonarista ou lulista”, disse em entrevista coletiva à imprensa.
Entre o público, apoiadores usavam camisetas nas cores verde, amarelo e azul e, nos arredores do colégio onde o evento aconteceu, bandeiras e placas exibiam o rosto de Flávio Bolsonaro (PL).
A aliança de Ciro com setores do bolsonarismo vinha sendo maturada desde 2024, quando seus principais aliados apoiaram o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) no segundo turno em Fortaleza. A aproximação foi intensificada a partir do ano passado.
Fonte: Folha de S. Paulo











