Fascistas e comunistas são a mesma coisa

Prepare-se para as discussões ideológicas neste país polarizado, em que um acusa o outro de “fascista” e o outro acusa o primeiro de “comunista”. O genial Roberto Motta mostrou que não se trata de duas ideologias que se confrontam porque são opostas, mas de duas ideologias concorrentes com os mesmos objetivos: apropriar-se do Estado e dominar o povo. Tanto o fascismo como o comunismo são iguais nos objetivos, tanto que Hitler e Stálin assinaram o pacto Molotov-Ribbentrop, rompido depois pelos alemães. Os dois ditadores se juntaram para acabar com as democracias. São a mesma coisa – o general Golbery dizia que é como a ferradura, em que os dois extremos estão mais próximos entre si do que ambos em relação ao centro.

Há uma piada muito boa, em que o menino procura o pai dizendo: “pai, machuquei o joelho”, e o pai pergunta: “o esquerdo ou o extremo direito?” Na imprensa domesticada ninguém escreve “direita”, é só “extrema direita”. Mas ninguém escreve “extrema esquerda”, é como se não existisse. Mas extrema esquerda e extrema direita são iguais, pretendem dominar o Estado e as pessoas, fanatizá-las para que fiquem violentas, como aconteceu na Avenida Paulista.

Vândalos da Avenida Paulista já não pensam, são governados apenas pelas emoções

O que houve nesse domingo foi uma imitação de black blocks, imitação do Maio de 1968 em Paris, aquele acontecimento icônico que os manifestantes na Paulista, ainda com cabecinha imatura, pretenderam copiar. O que me assustou ainda mais foi ver uma bandeira dos Estados Unidos sendo queimada com maçarico – ou seja, alguém estava lá com uma arma, praticamente um lança-chamas portátil. Fora todas as imprecações, os gritos, a raiva, o ódio. Isso é condenável vindo de qualquer extremidade, e essas pessoas estão, sim, nas extremidades, onde ninguém pensa, só funciona com base nas emoções.

Isso tudo me lembrou o general Rubem Ludwig. Em 1984, eu estava cobrindo a visita do presidente João Figueiredo à Espanha; em Madri, estávamos diante da Puerta de Alcalá, toda ainda pipocada com os tiros da Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 a 1939, opondo o general Franco, monarquista, e os republicanos comunistas. O general Ludwig me chamou a atenção, dizendo: “isso é o ódio que está no cérebro que arma as mãos”; mãos que ou atiram pedras, empunham facas – como aquela que entrou no abdômen de Jair Bolsonaro – ou puxam gatilhos.

Aliás, a faca ainda está fazendo seus efeitos. Os soluços que já estavam mais ou menos dominados estão voltando, e isso tirou Michelle Bolsonaro da campanha – ela estava participando da campanha de Celina Leão no Distrito Federal e pretendia ir ao Amazonas apoiar a Professora Maria do Carmo contra Omar Aziz.

Sociedade onde não se pode nem exibir preferência política perdeu a civilidade

Faltando 11 dias para a eleição, tenhamos em mente que a violência é dos violentos, é dos radicais, dos emocionais que abandonam a razão e a lógica. Sei de pessoas que não põem mais os símbolos de seu candidato preferido no carro porque os outros quebram o espelho retrovisor, chutam a porta, quebram faróis e vidros. É terrível que estejamos chegando a esse ponto, sem nenhum grau de civilidade.

Fonte: Gazeta do Povo – Alexandre Garcia

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