Desaparecidos em Pernambuco: casos voltam a crescer e chegam a 1.642 em sete meses

O número de pessoas desaparecidas voltou a crescer em Pernambuco. Dados preliminares da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística (GGace), da Secretaria de Defesa Social (SDS), mostram que, entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 1.642 ocorrências de desaparecimento, contra 1.599 no mesmo período de 2025, um aumento de 2,7%. No ano passado inteiro, o Estado contabilizou 2.814 casos.

No mesmo intervalo de sete meses, 600 pessoas foram localizadas, enquanto em 2025 o número chegou a 575 no mesmo período. Em todo o ano passado, foram registradas 1.019 localizações.

Os números refletem uma realidade que mobiliza diferentes áreas da segurança pública, desde a investigação policial até o trabalho pericial de identificação de pessoas encontradas vivas ou mortas. Também reforçam uma orientação considerada decisiva pelas autoridades: o desaparecimento deve ser comunicado imediatamente, sem a necessidade de aguardar 24 ou 48 horas.

Segundo a delegada titular da Delegacia de Desaparecidos e Proteção à Pessoa (DDPP), Marina Linhares, as primeiras horas após o desaparecimento são determinantes para o sucesso das buscas. “Quanto antes essa informação chegar à polícia, maior será a possibilidade de êxito na localização da pessoa”, explica.

O DDPP é uma unidade vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De toda forma, Linhares ressalta que o boletim de ocorrência pode ser registrado em qualquer delegacia do estado, mesmo existindo uma unidade especializada no Recife. O objetivo é evitar atrasos e permitir que as diligências comecem o mais rápido possível.

Para registrar a ocorrência, o comunicante deve apresentar um documento oficial com foto. Em relação à pessoa desaparecida, quanto maior o número de informações fornecidas, maiores as possibilidades de localização. Fotografias recentes, características físicas, tatuagens, cicatrizes, roupas usadas no último contato, locais frequentados, número de telefone e até informações sobre contas bancárias ou veículos podem auxiliar nas investigações.

Buscas sem prazo para terminar

Após o registro da ocorrência, a Polícia Civil inicia uma série de procedimentos que variam de acordo com cada caso. Entre eles estão buscas em hospitais, unidades de saúde, rodoviárias, aeroportos, casas de acolhimento, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), análise de imagens de câmeras de segurança e levantamento de informações sobre deslocamentos de pessoas desaparecidas.

A delegada afirma que não existe um prazo para o encerramento das buscas. “A investigação continua até que a pessoa seja localizada. O objetivo é sempre promover um reencontro seguro com a família.”

De acordo com ela, a maior parte dos desaparecimentos ocorre por motivos voluntários, como conflitos familiares, fugas ou decisões pessoais. Também entram nesse grupo casos envolvendo pessoas com transtornos mentais ou idosos que deixam suas residências e perdem a orientação.

Já os desaparecimentos involuntários representam uma parcela menor e costumam estar relacionados a crimes, como homicídios, exploração sexual, tráfico de pessoas ou situações análogas à escravidão.

Fonte: Diario de Pernambuco

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