
A sucessão é um dos principais desafios das empresas familiares. Quando a troca de comando acontece em uma operação com centenas de unidades, a transição envolve manter a cultura criada pelo fundador e, ao mesmo tempo, preparar a empresa para uma nova fase de crescimento.
Foi esse o movimento das Óticas Diniz. Filha de Arione Diniz, fundador da rede, Ariane Diniz assumiu a presidência aos 29 anos, depois de uma transição planejada pela família. Hoje, sete anos depois, ela comanda uma operação com mais de 1.000 lojas, cerca de 400 franqueados e presença em aproximadamente 450 cidades.
A preparação começou antes da mudança de liderança. Em 2014, a família contratou uma consultoria para organizar a estrutura da companhia, criar um conselho e definir os papéis entre acionistas, conselheiros e executivos.
“Uma das grandes dificuldades das empresas é dar espaço para isso, entender o momento adequado para começar a conversar e estruturar”, diz Ariane.
A executiva assumiu a presidência em 2019, quando a rede já tinha presença nacional. Agora, o desafio é ampliar a escala sem perder o modelo de atendimento construído desde a primeira loja, aberta em São Luís, no Maranhão.
As Óticas Diniz faturaram R$ 1,5 bilhão em 2025 e projetam chegar a R$ 1,7 bilhão em 2026. Para crescer cerca de 13%, a companhia pretende abrir até 100 lojas, avançar em cidades menores e aumentar a participação do comércio eletrônico.
Da primeira ótica no Maranhão à rede nacional
A história das Óticas Diniz começou em São Luís, no Maranhão. Arione Diniz trabalhava como gerente de uma ótica, enquanto sua esposa atuava na área administrativa da mesma empresa. Depois que a companhia onde os dois trabalhavam faliu, o casal decidiu abrir o próprio negócio em 1992.
O crescimento inicial aconteceu pelo Nordeste, antes de a rede avançar para outras regiões do país. O movimento ajudou a construir uma operação que hoje está presente em todos os estados brasileiros.
Os filhos acompanharam a evolução da empresa. Bruno Diniz, irmão de Ariane, começou a trabalhar com o pai ainda jovem e participou da estruturação da franqueadora entre 2006 e 2007.
Ariane entrou oficialmente na empresa em 2014, quando a família já discutia a sucessão.
“No nosso caso, foi realmente algo bem estruturado, possível para cada um entender o seu papel e o seu momento”, diz.
Quando assumiu a presidência, em 2019, ela encontrou uma empresa consolidada. O desafio passou a ser profissionalizar processos e preparar a companhia para uma nova etapa sem romper com a identidade criada pelo fundador.
Hoje, Arione e Bruno participam do conselho de administração. A mãe de Ariane, que deixou a operação, integra o conselho familiar.
Fonte: Exame


