Lula sanciona lei do Enamed como requisito para exercer medicina

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, nesta sexta-feira (6), o Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 14, que determina a aplicação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como requisito obrigatório para o exercício da profissão no país. O PLV provém da Medida Provisória nº 1.370, que foi proposta pelo Poder Executivo com o objetivo de assegurar a consolidação de uma política nacional integrada de avaliação da formação médica, articulando a aferição da qualidade dos cursos de medicina, os mecanismos de acesso à residência médica e os instrumentos relacionados à habilitação para o exercício profissional da medicina no Brasil.

O exame será aplicado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com participação do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM), em três momentos da graduação: no segundo, quarto e sexto anos do curso. A pontuação é acumulada, com maior peso na última prova realizada na conclusão do curso. O resultado do Enamed também poderá ser utilizado para ingresso em programas de residência médica de acesso direto, por meio do Exame Nacional de Residência (Enare). Além disso, a prova passa a substituir a etapa teórica do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida).

Os egressos no Enamed que não atingirem o desempenho mínimo poderão refazer a prova nas edições futuras, mas ficarão impedidos de exercer a medicina até a aprovação. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), a medida garante que os profissionais da medicina que atendem à população, nas unidades básicas, nos hospitais ou nos programas de provimento, tenham a proficiência aferida pelo mesmo padrão nacional.

 A exigência de proficiência para obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) vale para estudantes que ingressaram no curso de medicina a partir de 19 de junho de 2026. Os cursos com conceito insatisfatórios no exame ficam submetidos a processos de supervisão instaurados pelo MEC, com possibilidade de aplicação de medidas cautelares como a redução de vagas ou a suspensão temporária de ingresso.

A política pública permanente de avaliação da formação médica é conduzida conjuntamente pelos ministérios da Educação e da Saúde, considerando o papel central do SUS na formação médica. É nas unidades básicas de saúde, nos ambulatórios e nos hospitais da rede que os estudantes realizam o internato e os residentes se especializam.

A nova legislação também constitui o Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica (Sinares), responsável por instrumentos de avaliação ao longo da residência médica, que serão apresentados de forma conjunta pelo Ministério da Educação, pelo Ministério da Saúde, pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira, visando qualificar a formação de especialistas no país.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que o modelo estabelece, de forma inédita, uma formação médica construída de forma conjunta: “É um momento histórico porque, pela primeira vez, estamos cuidando da formação médica e vendo todos os aspectos. Existem os aspectos de regulação do MEC, os aspectos relacionados ao SUS, com o Ministério da Saúde, e os aspectos do exercício da profissão, com o CFM. É uma política que acompanha toda a formação, com avaliação gradual e contínua. Vamos cuidar da qualidade da formação médica, da qualidade do atendimento do SUS e da proficiência durante todo o percurso formativo e, de fato, ter um instrumento efetivo de regulação, sabendo quais cursos podem ser ampliados e quais devem ser fechados”, disse.

De R$ 80 mil a R$ 100 mil: líderes do CV ordenam extorsões no Ceará para ‘bancar vida de luxo’ no RJ

A escolta policial de moradores para a compra de garrafões de água no município cearense de Banabuiú reflete a gravidade da tentativa das facções criminosas de exercer controle sobre territórios no Estado. O fato se soma a uma sequência de extorsões promovidas pelo Comando Vermelho (CV), registradas no Ceará há pelo menos três anos, com a tentativa de monopólio do jogo do bicho.

Desde julho de 2025, até essa quinta-feira (5), 176 pessoas foram presas por ameaças e extorsões a comerciantes, segundo informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

A reportagem apurou junto a um policial militar e uma fonte do Ministério Público do Ceará (MPCE) que, com o dinheiro arrecadado das extorsões, os criminosos escondidos em comunidades do Rio de Janeiro pagam ‘aluguéis’ de R$ 80 mil a R$ 100 mil por mês.

Os ataques se agravaram nos últimos meses e se voltaram para o comércio e serviços essenciais, como internet e venda de água mineral. Investigações apontam os responsáveis pelas ordens de crimes são lideranças da facção de origem carioca.

“Cobram aqui no Ceará para se manterem lá”, disse uma fonte ouvida pela reportagem, que fala também sobre o ‘estilo de vida luxuoso’ mantido na Capital Carioca, com direito mansões a festas em bailes funk.

Proteção dentro das comunidades 

O valor vai muito além de um ‘canto para morar’. O delegado Harley Filho, titular da Coordenadoria de Planejamento Operacional (Copol) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), confirmou em entrevista ao Diário do Nordeste que “esta é uma taxa para se manterem lá, ficarem na proteção do crime e mantidos dentro das comunidades”.

“Quando a Polícia sobe na comunidade, no morro, por exemplo, e tem troca de tiros, essa troca de tiros acontece como uma forma de proteção aos que estão lá em cima e pagam por isso”, explica Harley Filho.

O montante é arrecadado a partir de ‘extorsões unitárias’.  A reportagem apurou que, no caso dos provedores de internet, os criminosos costumam cobrar R$ 10 de cada cliente cadastrado na base da empresa.

A busca é por “fechar parceria” com provedores que tenham a partir de cinco mil clientes, tendo assim, por mês, extorquido pelo menos R$ 50 mil de uma só empresa.

No caso dos garrafões de água mineral, há informação que os criminosos venham exigindo R$ 1,50 de cada garrafão comercializado.

“Para que permaneçam nas comunidades existe um custo. Essas lideranças obtêm esses valores através da exploração de territórios no Ceará”, dise uma fonte ligada à investigação.

Ameaças coordenadas 

Conforme noticiado pelo Diário do Nordeste, só neste ano, foram registradas ameaças do CV seguidas de extorsões em Fortaleza, Groaíras, Alcântaras, Banabuiú, Caucaia e São Gonçalo do Amarante.

As ordens para as extorsões mais recentes em Banabuiú partiram, segundo Harley Filho, de lideranças do Comando Vermelho escondidas, principalmente, nas comunidades da Rocinha e do Alemão.

Os ataques aumentaram depois que a Polícia Civil do Ceará (PCCE) solicitou bloqueio de valores milionários das contas dos faccionados.

“Já ultrapassamos R$ 4 bilhões de bens bloqueados. Nossa missão é combate ao crime e a deles buscar vias alternativas para arrecadar”, diz Harley.

Fonte: Diário do Nordeste

Defesa Civil explica recomendação de kit de emergência para 72 horas

Uma recomendação da Defesa Civil Nacional para que a população mantenha um kit de emergência em casa, com suprimentos para até 72 horas, chamou a atenção nas redes sociais nessa sexta-feira (6/11). A publicação provocou questionamentos de internautas sobre a possibilidade de algum risco iminente no país. Diante da repercussão, o órgão esclareceu que a orientação tem caráter preventivo e não está relacionada a uma ameaça específica.

“Pessoal, é apenas um conteúdo sobre prevenção! Não existe nada de misterioso no ar ou alguma invasão alienígena”, respondeu a Defesa Civil nos comentários do post, em tom bem-humorado. O órgão também ressaltou que publica recomendações desse tipo diariamente e pediu que os usuários fiquem tranquilos.

A orientação é que as famílias organizem uma mochila com itens essenciais para os primeiros três dias de uma emergência. Segundo a Defesa Civil, em desastres de grandes proporções, as equipes de socorro podem demorar a chegar a determinadas localidades, especialmente quando há dificuldades de acesso.

O kit deve incluir água potável, alimentos não perecíveis, medicamentos de uso contínuo, produtos de higiene, roupas, documentos pessoais, lanterna, pilhas, carregadores e rádio. A recomendação é reservar dois litros de água por pessoa a cada dia, o que corresponde a seis litros para um período de 72 horas.

A lista também deve considerar as necessidades de cada família, com itens específicos para crianças, bebês e animais de estimação. A Defesa Civil orienta ainda que os moradores acompanhem os alertas e as recomendações dos órgãos estaduais e municipais.

A publicação não representa um aviso de que uma emergência está prestes a acontecer. A proposta é incentivar a preparação antecipada para situações inesperadas, como desastres naturais ou interrupções de serviços essenciais.

Fonte: Correio Braziliense

Covid-19: pelo menos 5 estados registram aumento de casos graves

O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil aumentou ao longo dos meses de setembro e outubro, incluindo os casos causados por quadros graves de infecção por covid-19. Os dados são da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com o último Boletim InfoGripe, há sinais de aumento do número de casos graves de covid-19 em pelo menos cinco unidades da Federação: Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

“No entanto, nessas quatro últimas unidades da Federação, a incidência de SRAG por covid-19 permanece em níveis muito baixos”, destacou o documento.

Três estados, entretanto, apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Roraima, Sergipe e Santa Catarina.

A Fiocruz observa ainda que duas das 27 capitais registram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju e João Pessoa.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, entre os casos positivos de SRAG, a proporção de resultados positivos para cada vírus foi de 4,2% para influenza A; 4,7% para influenza B; 10,1% para vírus sincicial respiratório; 50,1% para rinovírus; e 8,5% para covid-19.

Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus entre os casos positivos, no mesmo recorte temporal, foi de 1,3% para influenza A; 12,7% para influenza B; 3,8% para vírus sincicial respiratório; 43% para rinovírus; e 24,1% para covid-19.

Ao longo de 2026, foram notificados 171.369 casos de SRAG, dos quais 91.420 (53,3%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 62.823 (36,7%) tiveram resultado negativo e ao menos 7.457 (4,4%) aguardavam resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

O InfoGripe mostra que a incidência e a mortalidade semanal médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas.

Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado em crianças de até 2 anos, em relação à mortalidade, ocorre o inverso: a população com 65 anos ou mais aparece como a mais impactada.

Fonte: Agência Brasil

Grêmio mostra por que é ‘copeiro’, segura pressão do Atlético e avança à final da Copa do Brasil

O Grêmio é o primeiro finalista da Copa do Brasil 2026. O jogo de volta com o Atlético-MG aconteceu neste sábado, dia 7, em Belo Horizonte. O placar de 1 a 1 foi construído ainda no primeiro tempo, com gols de Renan Lodi e Carlos Vinícius. Agora, o time gaúcho espera por Palmeiras ou Vasco, que jogam neste domingo.

A tarefa do Atlético era um tanto indigesta. Depois de perder o primeiro confronto por 2 a 0, no Sul, no domingo passado, o time mineiro teria de vencer por dois gols de diferença para levar aos pênaltis, e três para se classificar. Por este motivo, a torcida alvinegra encheu as arquibancadas com uma linda festa antes da bola rolar.

Os times foram a campo com força total. O Atlético contou com os retornos de Natanael, Renan Lodi, Maycon, Castaño, Alan Franco, Bernard e Cuello, que foram poupados na derrota para o Botafogo por 1 a 0 pelo Brasileirão de olho neste jogo. Do outro lado, por mais que a vantagem pudesse ser confortável, Renato Portaluppi não estava disposto a correr riscos. O time alternativo do Grêmio perdeu para o Flamengo por 3 a 1 na última quarta-feira.

O primeiro tempo teve de tudo, menos tédio. Quando a bola rolou com 10 minutos de atraso, em razão da fumaça dos sinalizadores, o Atlético logo tratou de tomar as rédeas da partida. O time da casa quase anulou a desvantagem ainda na primeira etapa, não fossem os vários milagres de Weverton, que foi quem mais trabalhou em campo.

Igor Gomes e Bernard tomaram a iniciativa dos mineiros e fizeram a defesa gremista trabalhar bastante. Porém, foi de fora da área que o placar saiu do zero. Renan Lodi recebeu na intermediária, penteou a bola três vezes e acertou um lindo chute aos 25 minutos.

A partida ficou ainda mais quente. Os atleticanos seguiram pressionando, enquanto o Grêmio quase nada fez no ataque. Taticamente, o time de Renato Portaluppi precisava mostrar presença no ataque para conseguir amenizar as investidas dos mandantes. E só precisou de uma chance pra isso.

Aos 37 minutos, o Grêmio mostrou porque é conhecido por ser ‘copeiro’. Carlos Vinícius, de cabeça, deixou tudo igual após receber lindo lançamento de Noriega. O gol foi um balde de água fria para os atleticanos, que foram para os vestiários na mesma situação que iniciaram o jogo: precisando fazer dois gols para levar a decisão para os pênaltis.

Na volta do intervalo, o time da casa voltou o mesmo, enquanto Renato promoveu Caio Paulista e Dodi nos lugares de Marlon e Enamorado, respectivamente. Com o resultado a favor, os gaúchos se fecharam ainda mais, obrigando Eduardo Domínguez a mexer no time e colocar os experientes Fred e Dudu em campo.

No primeiro tempo, a impressão que o Atlético passou era de que os gols poderiam sair a qualquer momento. Porém, não foi o que se repetiu. A segunda etapa ficou mais tensa para o time da casa. A posse de bola não foi transformada em oportunidades como nos 45 minutos iniciais.

Na mesma medida, cada investida do Grêmio ao ataque aumentava o temor de que a vantagem fosse ampliada. Do lado dos gaúchos, foi só esperar o tempo passar e aproveitar uma ou outra oportunidade que pudesse aparecer. “Entra e descansa com a bola no pé”, orientou Renato ao colocar Tetê em campo aos 25 minutos.

A melhor chance do Atlético veio logo depois, aos 26, quando Fred achou um lindo passe para Renan Lodi. O lateral saiu cara a cara com Weverton, e o experiente goleiro evitou mais uma vez que o time alvinegro voltasse para o jogo.

Uma chuva torrencial tomou conta da Arena MRV e as luzes chegaram a piscar algumas vezes. A drenagem do gramado, entretanto, conseguiu suportar com eficiência o volume de água. Para completar, novamente fumaças de sinalizadores atrapalharam a visibilidade no gol defendido por Weverton.

O que já era ruim, ficou ainda pior quando Vitão foi expulso com vermelho direto após lance em que atinge a testa de Braithwaite com o pé. O árbitro Ramon Abatti Abel tinha punido apenas com um amarelo, mas mudou de opinião após consultar o VAR.

Oito minutos foram acrescentados, mas não foram suficientes para evitar o tropeço do Atlético diante dos seus quase 43 mil torcedores.

Fonte: Estadão