Sudene inicia em Salgueiro, nesta quinta-feira, rota de seminários sobre a Ferrovia Transnordestina

Além de receber a abertura da 2ª edição do Festival Pernambuco Meu País, Salgueiro sedia outro importante evento nesta quinta-feira, 24. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em parceria com o portal Movimento Econômico, iniciará na cidade a série de seminários “Conexões Transnordestina – A Ferrovia que Mudará Pernambuco”.

O evento acontece no Spaço Fest, por trás do Salgueiro Shopping, das 9h às 13h, e será aberto pelo superintendente da autarquia, Danilo Cabral. A iniciativa tem como objetivo fomentar o debate sobre os impactos econômicos e logísticos do ramal ferroviária “Salgueiro – Suape”, muito importante para o desenvolvimento econômico de Pernambuco.

Em Salgueiro, cidade estratégica no traçado da ferrovia, o encontro contará com participação da presidente da CDL, Regilane Barros; do professor da UPE e consultor logístico, Guilherme Magalhães, e do presidente do CREA Pernambuco, Adriano Lucena. Os três vão discutir o tema “Salgueiro como ponto logístico e estratégico da Transnordestina”, ressaltando o papel da cidade na integração do interior nordestino com os mercados nacionais e internacionais.

O encontro em Salgueiro é o primeiro de uma série de sete seminários em cidades-chave ao longo do trajeto ferrovia em Pernambuco. A Sudene também levará o evento para Petrolina, Araripina, Belo Jardim, Caruaru, São Bento do Una e Recife.

Cada seminário aborda oportunidades específicas para os arranjos produtivos locais, promovendo articulação entre gestores públicos, empresários, pesquisadores e operadores logísticos. Durante os encontros serão colhidas sugestões e opiniões do setor produtivo para encaminhamento aos governos de Pernambuco e do Brasil.

Estimado em R$ 3,5 bilhões, com conclusão prevista até 2029, o novo ramal da Transnordestina que corta Pernambuco é executado pela Infra S.A., que já avançou nos projetos básicos, licenciamentos e estudos técnicos. A estrada de ferro transformará Pernambuco em um eixo logístico de escoamento da produção agroindustrial, mineral e energética, ligando o interior ao Porto de Suape.

Da redação do Blog do Chico Gomes

Nobel de Economia elogia Pix e sugere que Brasil criou o futuro do dinheiro

Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de Economia, sai em defesa do Pix e pergunta: “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”. Em sua coluna semanal, publicada nesta terça-feira no subtrack, o americano questiona a situação das criptomoeadas nos EUA e diz que o governo de Donald Trump deveria olhar o Brasil como referência no sistema de pagamento e de inovação financeira. Ele ainda aplaude a decisão do país de julgar seu ex-presidente, no caso Jair Bolsonaro.

Os comentários estão sendo feitos uma semana depois que o governo dos EUA decidiu abrir uma investigação contra o sistema de pagamentos no Brasil, o que poderia acarretar em novas sanções e tarifas contra o país.

O título deixa claro seu elogio: “O Brasil criou o futuro do dinheiro?”.

Seu gancho foi o anúncio, na semana passada, na Câmara dos Deputados dos EUA, da aprovação da Lei Genius, que, segundo ele “impulsionará o crescimento das stablecoins, abrindo caminho para futuros golpes e crises financeiras”. “Na quinta-feira, a Câmara também aprovou um projeto de lei que impediria o Federal Reserve de criar uma moeda digital do banco central (CBDC), ou mesmo estudar a ideia”, disse Krugman.

“Por que os republicanos estão tão aterrorizados com a ideia de um CBDC que estão literalmente ordenando que o Fed pare de pensar nisso?”, questionou.

Segundo ele, em 2022, o “Fed emitiu um relatório preliminar sobre a possibilidade de criar um CBDC, que descreveu como “análogo a uma forma digital de papel-moeda”. “Atualmente, os americanos podem manter e gastar uma forma de responsabilidade do Federal Reserve: pedaços de papel verde com fotos de presidentes mortos. Um CBDC expandiria esse direito, permitindo-nos manter e gastar depósitos no Fed, que, como todos os depósitos hoje em dia, seriam apenas registros digitais”, disse.

“Se isso soa estranho, você deve perceber que já temos o que equivale à moeda digital do banco central – mas apenas para instituições financeiras. Os bancos mantêm contas no Fed e podem transferir fundos entre si por meio de um sistema de pagamentos eletrônicos. Por que não deveriam ser disponibilizados recursos comparáveis para pessoas físicas e empresas não financeiras?”, questionou.

Segundo ele, os republicanos dizem que estão preocupados com a invasão de privacidade, que um CBDC abriria as portas para a vigilância generalizada do governo. “Mas lembre-se, essas são as pessoas que entregaram dados pessoais do Medicaid ao ICE para facilitar prisões e sequestros”, alertou.

“Se você acha que eles estão profundamente preocupados com a vigilância em potencial, tenho algumas memecoins da família Trump que você pode querer comprar”, ironizou.

Segundo ele, o que os republicanos realmente temem, “com razão, é a probabilidade de muitas pessoas preferirem um CBDC a contas bancárias privadas, especialmente, mas não apenas, stablecoins”. “E, em geral, qualquer tentativa de criar um CBDC completo enfrentaria forte oposição do setor financeiro”, constatou.

“Mas e a possibilidade de criar um CBDC parcial? Poderíamos manter contas bancárias privadas, mas fornecer um sistema eficiente e público para fazer pagamentos a partir dessas contas?”, ponderou.

E é neste aspecto que o Brasil é usado como modelo.

“Sim, nós poderíamos. Sabemos disso porque o Brasil já fez isso”, apontou.

“A maioria das pessoas provavelmente não pensa no Brasil como líder em inovação financeira. Mas a economia política do Brasil é claramente muito diferente da nossa – por exemplo, eles realmente colocam ex-presidentes que tentam anular as eleições em julgamento”, disse, numa referência a Jair Bolsonaro.

“E os grupos de interesse cujo poder, pelo menos por enquanto, torna impossível uma moeda digital dos EUA parecem ter muito menos influência lá. O Brasil está, de fato, planejando criar uma CBDC. Como primeiro passo, em 2020 introduziu o Pix, um sistema de pagamento digital administrado pelo banco central”, contou.

Ele compara o Pix a uma “versão pública do Zelle, o sistema de pagamento operado por um consórcio de bancos privados dos EUA”. “Mas o Pix é muito mais fácil de usar. E enquanto o Zelle é grande, o Pix se tornou simplesmente enorme, usado por 93 % dos adultos brasileiros. Parece estar substituindo rapidamente dinheiro e cartões”, disse.

Citando um relatório do FMI, Krugman destaca como as transações Pix ocorrem quase instantaneamente. “Um pagamento Pix é liquidado em 3 segundos em média contra 2 dias para cartões de débito e 28 dias para cartões de crédito”, disse.

Ele também aponta que os custos de transação são baixos. “As autoridades estabeleceram uma exigência de que o Pix seja gratuito para pessoas físicas, e o custo de uma transação de pagamento para empresas/comerciantes é de apenas 0,33% do valor da transação, contra 1,13% para cartões de débito e 2,34% para cartões de crédito”, disse.

“Não posso deixar de notar que o Pix está realmente alcançando o que os impulsionadores de criptomoedas alegaram, falsamente, ser capaz de entregar por meio do blockchain – baixos custos de transação e inclusão financeira”, comparou. “Compare os 93% dos brasileiros que usam o Pix com os 2%, isso mesmo, 2% dos americanos que usaram criptomoeda para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024”, escreveu.

Fonte: UOL

Tarifaço de Trump coloca em risco 77 mil toneladas de frutas brasileiras que aguardam exportação para os EUA

Cerca de 77 mil toneladas de frutas brasileiras que aguardam exportação para os Estados Unidos correm risco de estragar ou de serem comercializadas abaixo do preço de mercado por causa da tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Anunciada por Trump, a medida entra em vigor em 1º de agosto e já levou à suspensão de embarques de frutas, pescados, grãos e carnes.

No setor de frutas, o impacto é expressivo. Um levantamento da GloboNews aponta os volumes em risco:

– 36,8 mil toneladas de manga

–  18,8 mil toneladas de frutas processadas, principalmente açaí

– 13,8 mil toneladas de uva

– 7,6 mil toneladas de outras frutas

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), cerca de 2,5 mil contêineres estão preparados para exportação, à espera de uma solução diplomática.

A quantidade é suficiente para abastecer, por um ano inteiro, a população de grandes capitais como Salvador (BA), Manaus (AM) e Recife (PE).

🍊Se convertida em suco, essa quantidade equivaleria a 38,5 milhões de litros, o bastante para servir um copo a mais de 192 milhões de pessoas.

O números dimensionam o impacto da disputa comercial, que atinge em cheio produtores e exportadores do país.

A crise impacta diretamente os produtores do Vale do São Francisco, que lidera o cultivo no Brasil. Caso o impasse persista, os efeitos negativos devem se alastrar pelas próximas safras, com potencial para reduzir investimentos, provocar demissões e afetar toda a cadeia logística da fruticultura nacional.

Entre os produtos mais afetados está a manga, principal fruta in natura exportada pelo Brasil para o mercado norte-americano. O cenário é o mais delicado porque a janela de embarques — que vai de agosto a outubro — coincide justamente com o início da aplicação da nova sobretaxa.

Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, afirma que as alternativas para o setor são limitadas.

“Não podemos colocar essa manga no Brasil, porque vai colapsar o mercado. Então, urge uma definição, urge o bom senso, urge a flexibilidade, urge um pensamento global, um pensamento geral, para que não tenhamos que deixar manga no pé, com desemprego em massa”, diz.

“Agora nós estamos bastante inseguros. Porque, infelizmente, a essa altura não podemos pegar essa manga e jogar na Europa. O preço vai desabar, não há logística para isso”, afirma o presidente.

A entidade afirma que o segundo semestre, tradicionalmente responsável pelo maior volume de receitas da fruticultura, pode se transformar em um período de colapso.

Dados da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) mostram que o suco de laranja também está em risco. Na safra 2024/2025, a exportação representou 305 mil toneladas de suco enviadas para os Estados Unidos e mais de US$ 1,3 bilhão em receita para o Brasil.

O aumento de 533% na taxação torna inviável a continuidade das vendas ao segundo principal destino do produto. O volume em risco ameaça toda a cadeia produtiva, especialmente agora, no início da nova safra.

O governo federal orientou empresas brasileiras a mobilizarem seus compradores nos EUA e tenta negociar com a administração americana o adiamento da tarifa por pelo menos 90 dias.

Fonte: G1

Ele vendeu sua empresa para a Adobe por US$ 1 bilhão – mas começou com US$ 17 mil e cheio de dívidas

Emery Wells é um exemplo de como decisões financeiras arriscadas, mas calculadas, podem transformar uma carreira e criar oportunidades bilionárias. Com 42 anos, Wells é o CEO da Frame.io, uma plataforma de colaboração em vídeo vendida para a Adobe por US$ 1,2 bilhão em 2021.No entanto, o caminho até esse marco foi repleto de desafios financeiros e escolhas audaciosas. As informações foram retiradas de uma reportagem da CNBC.

Em 2006, aos 25 anos, Wells era um editor de vídeo freelancer em Nova York, recém-saído de um emprego de bartender para seguir o sonho de trabalhar no cinema. Durante uma feira da indústria, ele testemunhou o anúncio de uma câmera digital revolucionária.

Sem pensar duas vezes, seguiu o exemplo de um colega e colocou um depósito de US$ 1.000 para entrar na lista de espera do produto. Na época, esse valor quase estourou o limite de crédito de seu cartão, que era de US$ 1.200.

Wells lembra que estava endividado e tinha apenas algumas centenas de dólares no banco, mas estava determinado a adquirir o equipamento, que custava US$ 17.500.

Essa compra arriscada acabou se provando um divisor de águas. Pouco tempo depois de receber a câmera, ele se tornou um dos poucos profissionais em Nova York a possuir o equipamento, o que o colocou em alta demanda no mercado de produção e pós-produção.

Sua empresa, a Katabatic Digital, cresceu rapidamente e, em 2014, já faturava mais de US$ 1 milhão por ano com clientes como Coca-Cola e Pfizer.

Uma nova ideia de negócio surgiu

No entanto, Wells percebeu que o verdadeiro potencial estava em um software que ele desenvolveu junto com o engenheiro John Traver, também funcionário da Katabatic.

O software permitia que equipes colaborassem na edição de vídeos, tornando o processo de feedback mais eficiente. Essa ferramenta, que se tornaria a Frame.io, chamou a atenção de mais de 15 mil clientes logo após o lançamento.

Wells então enfrentou uma decisão crítica: continuar investindo na Katabatic, uma empresa já estável e lucrativa, ou apostar tudo na Frame.io, uma startup promissora, mas incerta.

Ele optou pela segunda alternativa, encerrando as operações da Katabatic e dedicando todos os seus recursos à nova empreitada.

Para garantir o sucesso, Wells chegou a investir boa parte de suas economias na Frame.io, enquanto buscava financiamento de investidores. A decisão de se comprometer 100% com o projeto foi fundamental. Como um investidor destacou, nenhum capital de risco seria levantado enquanto a Frame.io fosse tratada como um projeto paralelo.

A aposta valeu a pena

Nos primeiros 90 dias após o lançamento oficial, a Frame.io gerou US$ 30 mil em receita recorrente mensal, o que atraiu um aporte inicial de US$ 2 milhões da Accel. Nos anos seguintes, a startup levantou mais de US$ 80 milhões em rodadas de financiamento.

À medida que a empresa crescia, Wells e Traver começaram a considerar uma oferta pública inicial (IPO). Foi nesse momento que a Adobe apresentou uma proposta de aquisição bilionária que eles não puderam recusar.

A trajetória de Wells ilustra o impacto das decisões financeiras estratégicas no sucesso de um negócio. Para especialistas, seu exemplo reforça a importância de compreender riscos, identificar oportunidades e saber direcionar recursos de forma inteligente.

Ele mesmo admite que, no início, não imaginava que a Frame.io se tornaria uma empresa bilionária. O crescimento foi acontecendo de forma incremental, baseado em metas claras e no trabalho de convencimento de investidores a cada nova rodada de financiamento.

Fonte: EXAME

Governo Federal anuncia R$ 1,4 bilhão para obras da Ferrovia Transnordestina

Nesta sexta-feira, 18, durante visita ao município de Missão Velha-CE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo investimento de R$ 1,4 bilhão para as obras da Ferrovia Transnordestina. O empreendimento tem início da operação previsto para o fim de 2025, fortalecendo a economia e a infraestrutura logística no Nordeste.

Lula afirmou que as obras já deveriam estar concluídas e disse que assumiu o compromisso de retomar o projeto ao retornar à Presidência da República. “Eu imaginei que ela fosse acabar em 2012. Eu saí em 2010, voltei à Presidência 13 anos depois e essa ferrovia tinha andado muito pouco. Aliás, já não tinha mais interesse em fazer essa ferrovia. E eu assumi a responsabilidade de que nós vamos concluir essa ferrovia, custe o que custar”, afirmou.

Ele ainda ressaltou que o eixo pernambucano da obra, entre Salgueiro e o Porto de Suape, também será concluído. “Vamos fazer ela [a Transnordestina] entre o Porto de Pecém e o Porto de Suape e Eliseu Martins, no Piauí, igual estava no projeto. O Nordeste precisa dessa obra e precisa ser respeitado”, assegurou.

Os novos recursos foram garantidos a partir dos Fundos de Investimento do Nordeste (Finor) e de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), sendo R$ 600 milhões através do FDNE nos próximos meses e outros R$ 816 milhões a partir do leilão de desinvestimentos e liquidação do Finor. A ferrovia está orçada em R$ 15 bilhões e já recebeu investimentos na ordem de R$ 8,2 bilhões.

Ao todo, a obra terá 1.209 quilômetros de extensão, passando por 53 municípios, com início em Eliseu Martins, cruzando Salgueiro e indo até o Porto do Pecém, no Ceará. O outro braço do empreendimento, que o Governo Federal assumiu a responsabilidade de concluir, percorre todo Pernambuco, até o Porto de Suape.

Da redação do Blog do Chico Gomes

Lula diz que Brasil vai cobrar imposto de “empresas americanas digitais”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (17), que o governo cobrará imposto de “empresas americanas digitais”.

“Esse país só é soberano porque o povo brasileiro tem orgulho desse país. Eu queria dizer para vocês que a gente vai julgar e cobrar impostos das empresas americanas digitais”, disse o petista durante discurso no congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Goiânia.

Lula, no entanto, não especificou como essa possível cobrança seria feita e nem detalhou quais empresas seriam afetadas.

Atualmente, grandes multinacionais que atuam no Brasil pagam uma alíquota mínima de 15% sobre o lucro; não há, porém, impostos incidindo exclusivamente sobre plataformas digitais e redes sociais estrangeiras, que poderiam se enquadrar na taxação ventilada por Lula.

Fonte: CNN

Alexandre de Moraes mantém decreto do IOF do governo, mas revoga cobrança sobre risco sacado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira manter a maior parte do decreto do governo que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), revogando apenas a cobrança das operações do risco sacado. Moraes é relator de quatro ações no STF que tratam do decreto, que causou uma disputa entre Executivo e Congresso.

O risco sacado, comum entre varejistas, é uma espécie de antecipação de pagamento de empresas aos fornecedores, intermediada pelos bancos, mediante cobrança de taxas. Antes do decreto do governo, não incidia IOF sobre a transação porque não era considerada, para esses fins, uma operação de crédito.

O ato do governo federal, contudo, determinou que essa era uma operação de crédito, e que, portanto, deveria ser cobrada como tal. O governo estimava arrecadar R$ R$ 12 bilhões em 2025 e R$ 31,2 bilhões em 2026 com as novas regras do IOF. Porém, a saída do risco sacado vai reduzir esse valor em R$ 450 milhões em 2025 e até R$ 3,5 bilhões em 2026 — o equivalente a cerca de 11,4% da arrecadação esperada com o imposto para o próximo ano.

Ao suspender o artigo relativo ao risco sacado, Moraes explica que o governo extrapolou sua competência ao usar decreto para incluir operações de risco sacado como se fossem operações de crédito sujeitas ao IOF. Para o ministro, isso viola o princípio da legalidade tributária e o regime constitucional de delegação de competência tributária.

“Não bastasse isso, a equiparação normativa realizada pelo decreto presidencial das operações de “risco sacado” com “operações de crédito” feriram o princípio da segurança jurídica, pois o próprio Poder Público sempre considerou tratar-se de coisas diversas”, aponta o ministro.

Moraes destacou que o decreto que promoveu as mudanças no IOF foi editado seguindo o que é previsto pela Constituição, que autoriza o Executivo a alterar alíquotas de tributos com função extrafiscal — como o IOF. Segundo ele, a medida não extrapolou os limites legais previstos na Lei nº 8.894/1994, que disciplina o imposto.

“Não restou comprovado qualquer desvio de finalidade na alteração das alíquotas pelo ato do Presidente da República”, afirma.

O Congresso Nacional alegava que o decreto teria caráter arrecadatório, o que seria inconstitucional. Moraes rejeitou essa tese, afirmando que a motivação econômica não desfigurou a natureza regulatória do IOF.

“Não há mais necessidade de manutenção da cautelar, pois ausente o risco irreparável decorrente de eventual exação fiscal irregular”, observa.

Fonte: O Globo

EUA citam Pix como exemplo de decisão do Brasil que prejudicou americanos

O Pix faz parte da grande lista de reclamações mencionadas no processo de investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. O sistema de pagamentos brasileiro é citado como exemplo de como o governo local favorece o país em detrimentos das empresas norte-americanas.

“O Brasil também parece se engajar em uma série de práticas desleais com relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, cita o documento do Escritório da Representação Comercial dos EUA, o USTR.

Um dos casos mais emblemáticos dessa concorrência entre sistemas de pagamento aconteceu com o serviço WhatsApp Pay, controlado pela big tech Meta.

Em Brasília, os trabalhos para a criação do Pix começaram no BC (Banco Central) antes da pandemia da Covid-19, mas os primeiros detalhes só começaram a surgir ao público em 2020.

Em 28 de maio de 2020, o BC publicou as primeiras regras do Pix, como o processo de homologação das instituições financeiras e como ocorreriam as primeiras simulações entre bancos.

Menos de um mês depois, em 15 de junho de 2020, o Facebook anunciou com festa o lançamento do sistema de pagamentos da plataforma WhatsApp Pay no Brasil.

O país, aliás, foi o primeiro a ter o lançamento desse sistema após testes feitos na Índia. O início das transferências seria via cartões de outras duas empresas norte-americanas: Mastercard e Visa.

Uma semana depois, em 23 de junho, o Banco Central e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiram suspender as transferências via aplicativo da empresa fundada por Mark Zuckerberg.

Na ocasião, o BC argumentou que era preciso “avaliar riscos” e ter garantias de que haveria o “funcionamento adequado” do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro). Do lado comercial, o Cade citava “potenciais riscos” para a concorrência.

Com o sistema do WhatsApp na geladeira, o BC avançou com testes para pequenos grupos e, em outubro daquele ano, foi iniciado o processo de cadastramentos das chaves para todas as pessoas físicas e empresas.

No mês seguinte, em 16 de novembro de 2020, o Pix é lançado oficialmente para os clientes de mais de 700 instituições financeiras cadastradas no sistema. A partir daí, a plataforma do BC passa a ser um sucesso entre os brasileiros.

No início do ano seguinte, em março de 2021, a autoridade monetária finalmente deu o sinal verde para que o sistema WhatsApp Pay possa, finalmente, realizar as transferências entre pessoas físicas.

A plataforma da Meta é oficialmente relançada meses depois, mas “não pegou” entre os brasileiros que já tinham o Pix como ferramenta popular e usada maciçamente.

Fonte: CNN

Indústria estima 110 mil demissões com tarifaço de Trump e pede 90 dias de ‘trégua’

Em reunião considerada emergencial realizada ontem, representantes da indústria pediram ao governo federal que tente negociar um adiamento de 90 dias no início da taxação de 50% dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), caso a tarifa determinada pelo presidente norte-americano Donald Trump comece a valer em 1 de agosto, pelo menos 110 mil postos de trabalho podem ser fechados,

Segundo a CNI, apesar de saber que Trump costuma agir desta forma, a taxa de 50% pegou muitos empresários de surpresa, e eles temem o impacto potencial na economia brasileira. Os 90 dias seriam necessários para que todo o impacto na cadeia produtiva nacional fosse analisado com mais propriedade, além de permitir uma busca de acordo pela diplomacia mais adequada.

Se tarifa entrar em vigor, 110 mil postos de trabalho podem ser fechados na indústria. A notícia abalou a confiança do setor, já que o impacto sobre a economia nacional poderia ser “devastador”, levando à redução da produção e queda no PIB (Produto Interno Bruto). A reunião foi convocada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban.

Pedidos serão encaminhados formalmente ao governo. A secretária de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Tatiana Prazeres, participou da reunião e disse, segundo a CNI, que vai encaminhar as preocupações do setor.

Comitê se reúne hoje com representantes da indústria e do agro. O grupo é comandado pelo vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin. O governo quer, ao mesmo tempo, ouvir quais são as possíveis saídas para as diferentes áreas, como voltar a exportação dos itens para outros países ou intensificar o mercado interno, e analisar como pode ajudar nelas. Com esses empresários, conseguiria desenhar táticas para que a crise com os Estados Unidos seja amenizada.

Trump decidiu na semana passada tarifar os produtos brasileiros em 50%, apesar do superávit comercial dos EUA e da relação comercial histórica entre os dois países. Enquanto o principal produto exportado para o mercado americano é petróleo bruto, seguido por ferro e aço, os EUA exportam para o Brasil, principalmente motores, máquinas e combustíveis, setores que podem ser afetados pelo tarifaço.

Fonte: UOL

PIS/Pasep: abono para nascidos em setembro e outubro será pago nesta terça-feira

Os pagamentos do PIS/Pasep para os trabalhadores nascidos em setembro e outubro serão realizados nesta terça-feira (15/7), conforme calendário estabelecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo o MTE, no ano, os depósitos devem somar R$ 30,7 bilhões e beneficiar 25,8 milhões de trabalhadores.

O repasse dos valores do abono salarial de 2025 (referente ao ano-base de 2023) começou em 17 de fevereiro. Nos meses anteriores, o calendário contemplou os nascidos em janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto.

O que é o abono salarial e quem tem direito

– O benefício é destinado a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que atuaram formalmente por, no mínimo, 30 dias no ano-base de 2023, com remuneração de até dois salários mínimos (R$ 2.640).

– Para ter direito ao abono salarial, o trabalhador deve ter sido informado pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) até 15 de maio de 2024, ou no eSocial até 19 de agosto de 2024.

– Caso as informações tenham sido enviadas após essas datas, o benefício será pago no próximo exercício.

– Além disso, é necessário estar inscrito no programa há pelo menos cinco anos.

– O valor do benefício varia de acordo com os meses trabalhados no ano-base, chegando até um salário mínimo.

O valor do benefício varia entre R$ 127 e R$ 1.518, conforme o número de meses trabalhados em 2023. O cálculo corresponde à cifra atual do piso salarial dividido por 12 e multiplicado pela quantidade de meses trabalhados no ano-base.

Quem trabalhou os 12 meses do ano-base recebe o valor total de um salário mínimo.

Fonte: Metrópoles

Depois de tarifa ao Brasil, Trump anuncia 30% de taxa para México e União Europeia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 30% sobre produtos do México e da União Europeia. A previsão é que entrem em vigor a partir de 1º de agosto.

O anúncio foi feito neste sábado (12/7), por meio de rede social, e vem depois de Trump ter anunciado tarifas a países como Japão, Coreia do Sul, Canadá e Brasil.

Trump divulgou cartas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e à presidente do México, Claudia Sheinbaum, ambas com data de sexta-feira (11/7). E disse que imporia impostos de importação ainda mais altos se um dos parceiros comerciais dos EUA decidisse retaliar.

Na carta à líder mexicana, Trump diz que os Estados Unidos impuseram tarifas ao México “para lidar com a crise do fentanil da nossa nação, que é causada, em parte, pela falha do México em deter os cartéis, que são compostos pelas pessoas mais desprezíveis que já caminharam sobre a Terra, de despejarem essas drogas em nosso país”.

O ministro da economia do México, Marcelo Ebrard, chamou a nova tarifa de “injusta”, em declaração divulgada em rede social.

Já Sheinbaum disse acreditar que seria possível chegar a um acordo antes do período estipulado para início da vigência da nova tarifa. Em um evento no Estado mexicano de Sonora, ela ressaltou também que a soberania no México “não é negociável”.

Em carta para a líder da Comissão Europeia, Trump destaca os déficits comerciais dos Estados Unidos com a União Europeia e diz que a relação não é recíproca.

“Tivemos anos para discutir nossa relação comercial com a União Europeia e concluímos que devemos nos afastar desses déficits comerciais persistentes e prolongados, causados por políticas tarifárias e não tarifárias da União Europeia”, disse. “Nosso relacionamento tem sido, infelizmente, longe de ser recíproco.”

Em 2024, o déficit comercial dos EUA com o bloco foi de US$ 235,6 bilhões, de acordo com dados dos Estados Unidos.

Ursula von der Leyen respondeu que a imposição de tarifa de 30% sobre as exportações da União Europeia “interromperia cadeias de suprimentos transatlânticas essenciais, em detrimento de empresas, consumidores e pacientes em ambos os lados do Atlântico”.

Ela não descartou uma retaliação.

“Continuamos prontos para continuar trabalhando em direção a um acordo até 1º de agosto. Ao mesmo tempo, tomaremos todas as medidas necessárias para proteger os interesses da UE, incluindo a adoção de contramedidas proporcionais, se necessário.”

Os 27 membros da UE — o maior parceiro comercial dos Estados Unidos — tinham dito no início da semana que esperavam fechar um acordo com Washington antes de 1º de agosto.

Fonte: BBC

PIB pressionou inflação, e juros devem seguir altos, diz presidente do Banco Central a Haddad

O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, diz que a manutenção da taxa de juros elevada pode ajudar a inflação a voltar ao patamar estipulado pelo governo, e que os preços dos combustíveis, serviços e bens industriais, somados ao crescimento acima do esperado do PIB (produto interno bruto), foram alguns dos fatores que contribuíram para o estouro da meta de inflação.

O conteúdo consta em uma carta endereçada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e divulgada ontem, após dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrarem que a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 5,35% no acumulado dos últimos 12 meses, 0,85 ponto percentual acima do topo da meta.

Atividade econômica “surpreendeu positivamente”. Galípolo justifica que o crescimento do PIB superou as expectativas, com destaque para o desempenho da agropecuária e a recuperação do investimento, o que aumentou a demanda agregada. Isso, somado à taxa de desocupação, que caiu para o menor nível histórico (6,2%), e a pressões salariais que superaram a inflação passada e elevaram custos, foram fatores determinantes para o estouro da meta.

A desvalorização do real frente ao dólar ao longo de 2024, “apesar da queda [na cotação do dólar] este ano”, como disse o presidente do BC, encareceu produtos importados.

Impacto cambial atingiu especialmente bens industriais, como vestuário e automóveis, e alimentos processados. Apesar da queda nos preços do petróleo, que ajudou a reduzir parte da pressão sobre os combustíveis, outros itens tiveram aumentos relevantes, como foi o caso do café moído (alta de 77,88%) e da energia elétrica (afetada pela crise hídrica).

Segundo o presidente do BC, as previsões de inflação dos agentes econômicos se mantiveram acima da meta desde meados do ano passado, dificultando “a convergência dos dados”, mas os efeitos de 2024 ainda são sentidos. A inflação passada seguiu impactando preços atuais, especialmente por meio de reajustes automáticos em contratos e salários. O reajuste do salário mínimo em 2025, por exemplo, foi de 7,5%, ou 2,7 pontos percentuais acima da inflação de 2024. Essa elevação pressionou tanto os preços livres quanto os administrados.

Na argumentação das medidas que estão sendo tomadas para devolver a inflação à meta, Galípolo defende a manutenção do cenário atual. “A política monetária deve permanecer em patamar significativamente contracionista [com juros altos] por período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas”, escreveu em um trecho da carta.

Previsão é que inflação só volte à meta no final do primeiro trimestre de 2026. Segundo o presidente do Banco Central, a taxa deve ficar em 4,2%, dentro do limite de tolerância previsto para o período, que é de 4,5%. “O compromisso do Banco Central é com a meta de inflação de 3%, e as decisões são pautadas para que este objetivo seja atingido no horizonte relevante de política monetária”, afirmou.

Fonte: UOL

Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta por Trump preocupa produtores rurais do Vale do São Francisco

Os produtores rurais do Vale do São Francisco, que tem como cidades-polo Juazeiro-BA e Petrolina-PE, estão preocupados com a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os produtos brasileiros vendidos para o país norte-americano. A apreensão foi manifestada pelo presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do Vale do São Francisco, Jailson Lira, alertando que o “tarifaço” pode inviabilizar o crescente volume de exportações de frutas do Vale do São Francisco para os EUA.

“Se essa tarifa de 50% não for reduzida até setembro, podemos perder um mercado crucial”, disse o sindicalista em entrevista do blog do Carlos Britto. Ele estima que a região pode deixar de exportar 22 milhões e meio de toneladas de uva nesse período, o que causará um impacto significativo na economia regional.

Embora o mercado europeu seja o maior consumidor das frutas do Vale do São Francisco, o norte-americano já absorve 30% da produção da região. Por isso, os produtores sentirão os efeitos do aumento tarifário. Além disso, o mercado brasileiro enfrenta a competitividade de outros países com forte produção agrícola, a exemplo do Peru, que tem um custo-benefício mais vantajoso em relação ao Brasil.

Ainda sem saber se a tarifa anunciada por Trump terá uma revisão, os produtores do Vale do São Francisco e de outras regiões do país terão de buscar alternativas para minimizar os impactos econômicos e manter a produção, que aquece o mercado de trabalho.

Da redação do Blog do Chico Gomes