Chicotada e abuso sexual: Operação resgata 37 da escravidão em igreja no MA


David Gonçalves Silva, líder da igreja Shekinah House Church

Uma operação resgatou 37 pessoas mantidas em condições análogas às de escravidão nas dependências da igreja Shekinah House Church, localizada em Paço do Lumiar (MA), região metropolitana de São Luís. Elas cuidavam de cavalos, realizavam a limpeza do local e preparavam alimentos. Desse total, 17 foram apontados como pessoas com deficiência e dependentes químicos. Inicialmente, havia sido divulgado o número de 40 vítimas.

Os 32 cavalos pertencem ao pastor David Gonçalves da Silva, líder da igreja, que foi preso no mês passado durante a operação Falso Profeta, da Polícia Civil. Ele começou a ser investigado há dois anos, quando fiéis o denunciaram como o centro de uma estrutura de poder baseada em manipulação religiosa, violência física e abuso sexual.

David é acusado de chicotear membros da igreja, estuprar jovens que moravam no sítio, além de estelionato e associação criminosa.

A ação contra a escravidão foi deflagrada em 27 de abril e segue em andamento. Ela conta com auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Federal, com apoio da Defensoria Pública, da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Maranhão, entre outros órgãos.

Parte dos resgatados que não se vê como trabalhadores escravizados não quis ficar nos alojamentos e abrigos garantidos pelo governo estadual e está tentando retornar ao sítio onde era explorada. Em entrevista à TV Mirante, alguns atacaram a operação, dizendo que foram “expulsos” de sua casa, e reclamaram que estavam proibidos de voltar.

O comportamento, segundo auditores fiscais do trabalho e procuradores do trabalho com os quais a coluna conversou de forma reservada, tem sido comum em casos que envolvem escravização por grupos religiosos. A vítima, institucionalizada, vê no abusador o seu protetor, tal qual a síndrome de Estocolmo. Há também casos em que parte dos envolvidos exercia funções de poder dentro da igreja, estando acima dos demais. E, por isso, não querem se dissociar da estrutura.

O que mais chamou a atenção da fiscalização foi a vigilância constante à qual os membros estavam submetidos.

Fonte: UOL

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