
A Casas Bahia teve prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano. O montante é 18 vezes maior que o resultado negativo de R$ 555 milhões apontado no mesmo período de 2025.
Segundo a companhia, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes como baixa de ativos, gastos com reestruturação, contratos não performados e IR diferido.
Em termos ajustados, o prejuízo da varejista foi de R$ 978 milhões, 76% maior que o apontado um ano antes.
A receita líquida da Casas Bahia cresceu 1,6%, para R$ 6,97 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.
No relatório que acompanha as demonstrações financeiras, divulgadas na madrugada deste domingo (16), a administração da Casas Bahia diz que “diante de um ambiente de crédito mais restritivo e de um cenário macroeconômico mais adverso do que o previsto” intensificou o redimensionamento da companhia na segunda fase do seu plano de transformação “priorizando caixa e rentabilidade sobre o volume”.
Essa fase da reestruturação inclui o redimensionamento das lojas físicas, com o fechamento de 298 unidades; a revisão dos níveis e composição dos estoques, sortimento e volumes de compras; a adequação da estrutura organizacional e quadro de colaboradores e a redução do custo de capital e liquidez, através da amortização e redução gradativa da exposição ao fornecedor convênio – risco sacado.
A varejista deveria ter publicado o balanço financeiro até a sexta-feira (14) na página da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas registrou o relatório às 02:24 deste domingo. O atraso na prestação de informação prevê pagamento de multa ordinária.
Vendas
As vendas brutas de mercadorias (GMV, na sigla em inglês) da Casas Bahia cresceram 0,5% no segundo trimestre, na comparação anual, para R$ 10,51 bilhões.
As vendas on-line de produtos do estoque da companhia (1P) cresceram 15,3% no período, para R$ 2,82 bilhões, mas o avanço foi parcialmente compensado pelo recuo de 3,2% nas vendas das lojas físicas, para R$ 6,28 bilhões, e de 6,7% nas vendas de produtos de parceiros (3P), para R$ 1,6 bilhão.
A receita bruta da companhia cresceu 1,6%, com recuo de 3,5% nas lojas físicas e aumento de 13,3% no on-line.
Segundo a varejista, tanto o GMV quanto a receita bruta das lojas físicas foram afetados pelo fechamento líquido de nove lojas nos últimos 12 meses e pelo cenário de maior conservadorismo na concessão de crédito.
Nas vendas próprias na plataformas online, houve ganho de mercado de categorias estratégicas como telas, linha branca e sazonais e abertura de novos canais de vendas através de parcerias estratégicas, segundo a administração da varejista.
Fonte: Valor Econômico