
O presidente Lula (PT) dividiu palanque e pediu votos neste sábado (1º) para ele e candidatos de seu partido como o senador Jaques Wagner, que disputa a reeleição, durante a convenção que oficializou a chapa petista na Bahia para as eleições, em meio ao desgaste do aliado com as investigações relacionadas ao Banco Master.
Lula chegou a cometer um ato falho ao se referir a Wagner como líder de seu governo no Senado, mais de um mês após o petista deixar essa função por ter se tornado alvo da Polícia Federal. Ele nega ter cometido irregularidades.
Ao pedir votos para Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, e Wagner, ambos candidatos do PT ao Senado, Lula afirmou: “Eu preciso de dois votos, nesse galego [referência a Wagner] e nesse companheiro aqui [Rui]. O Senado está muito ruim, em um baixo nível muito grande”.
Em seguida, completou, em referência aos dois aliados que já governaram a Bahia: “É preciso que a gente tenha gente com maturidade política, competência política, porque esse cara [Rui] foi um governador extraordinário, esse [Wagner] foi um governador extraordinário e meu ministro do Trabalho, Previdência [sic, ele não comandou esta pasta], e é líder do meu governo no Senado”.
Pela legislação eleitoral, antes de 16 de agosto, é permitido solicitar apoio político e divulgar ações, mas sem pedido explícito de voto, o que pode configurar propaganda antecipada. Lula já foi condenado a pagar uma multa de R$ 15 mil por pedir votos para Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado em São Paulo, durante evento em maio.
Na véspera da convenção em São Paulo em que se lançará à reeleição, Lula fez um discurso de pouco mais de 30 minutos e não mencionou os novos desdobramentos da investigação da PF, que identificou ao menos 74 chamadas telefônicas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, ao longo de um ano e meio.
Ele também não comentou a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de autorizar a abertura de um segundo inquérito a pedido da PF para investigar o seu filho e empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência.
Wagner retribuiu o apoio, dizendo que a eleição de Lula nestas eleições é “fundamental” para um planeta em guerra, adotando um discurso em defesa da democracia e da soberania nacional.
O ato que oficializou a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) ao Governo da Bahia foi marcado por um atraso de quase duas horas e dificuldades do presidente para chegar ao Parque de Exposições Agropecuárias, local do ato partidário. A organização do evento disse à Folha que o atraso ocorreu devido ao congestionamento na região.
Lula subiu no palanque por volta das 11h50, mas só discursou às 13h20. Enquanto o presidente não chegava, telões exibiam jingles que iam do pagodão baiano ao louvor “Tapete Vermelho”, da cantora gospel Lina Luz. A letra diz não ser “só política, é sentimento” e que o petista “voltou das cinzas”, uma referência ao período de sua prisão até retornar à Presidência da República.
Esse foi o segundo ato público de Lula ao lado de Wagner desde que o aliado e amigo de mais de quatro décadas foi alvo da operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido pagamentos do banco de Daniel Vorcaro, por meio de empresa de sua nora, e um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. Há um mês, o presidente cumpriu na Bahia uma maratona de inaugurações.
Fonte: Folha de S. Paulo



