
O primeiro debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, foi marcado por uma série de ataques, muitas provocações e poucas propostas.
Troca de acusações e corrupção
Logo no início do primeiro bloco, Flávio citou diversas vezes a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A empresária atacou o presidente sábado, em entrevista à CNN Brasil, e alegou que o filho do presidente se reunia frequentemente com ministros do governo.
O presidente respondeu que Roberta “é um problema da Polícia Federal”, disse que seu filho vai prestar depoimento e “não vai se esconder”. Provocado sobre o filho, o presidente mencionou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. “Seu irmão está foragido nos EUA tramando contra o Brasil”, disse ao adversário,
Lula questionou Flávio repetidas vezes por ter pedido R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente bancar a produção de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. “O que você fez com esse dinheiro? É só explicar. Onde você colocou esse dinheiro?”, perguntou.
Lula também trouxe casos do passado de Flávio. Citou, por exemplo, que o filho do ex-presidente atuou como advogado do policial militar Bruno Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em 2021. Também mencionou a ocasião em que Flávio concedeu homenagem ao miliciano Adriano da Nóbrega e empregou familiares dele em seu gabinete na Alerj. Citou ainda o apoio do senador a um projeto de lei que eliminaria a exigência de marcação das munições, o que dificulta o rastreamento.
Flávio afirmou que Lula teve mais votos entre presidiários, e Lula ironizou: ‘Seu pai votou em mim’. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e não pode votar. No Brasil, apenas presos provisórios têm direito ao voto.
Em outro momento, Flávio pediu para Lula ficar do lado dele para “conversar junto”, mas Lula rejeitou. “Não quero ficar perto de você. Da família Bolsonaro eu quero distância. De miliciano eu quero distância.”
Segurança Pública
Flávio afirmou que, se eleito, vai “declarar guerra ao narcoterrorismo”, classificar facções como organizações terroristas e aumentar o tempo de prisão para os líderes de organizações criminosas. Ele prometeu recuperar “cada metro” dos territórios ocupados pelo crime organizado, mas não detalhou como. Também propôs criar o programa “Smart Brasil”, inspirado no Smart Sampa da Prefeitura de São Paulo, com instalação de câmeras nas ruas para identificar criminosos.
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança no Congresso e a criação do Ministério da Segurança Pública para que a União possa coordenar ações com governos estaduais e prefeituras. Ele repetiu um bordão usado ao longo da campanha: “Para o trabalhador e para a comunidade de proteção, para o bandido prisão.”
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança no Congresso e a criação do Ministério da Segurança Pública para que a União possa coordenar ações com governos estaduais e prefeituras. Ele repetiu um bordão usado ao longo da campanha: “Para o trabalhador e para a comunidade de proteção, para o bandido prisão.”
Saúde
Flávio propôs estabelecer o “Padrão Einstein” no SUS, hospital anteriormente presidido pelo médico Claudio Lottenberg, anunciado como ministro da Saúde em um eventual governo. Apresentou como principal medida a criação de um prontuário eletrônico unificado interligado pelo CPF para facilitar o direcionamento correto de pacientes e consultas via telemedicina.
Lula reagiu, lembrando das mais de 700 mil mortes na pandemia de covid-19, no governo Bolsonaro, e do atraso na entrega das vacinas contra a doença. O candidato do PL fez um mea-culpa sobre o governo do pai, disse que a saúde não foi a área técnica com melhor resultado, mas afirmou que Lula foi imunizado com as vacinas compradas durante a gestão Bolsonaro.
O presidente ainda questionou se o “padrão Einstein” seria um pretexto para privatizar o SUS. Defendeu a expansão do programa Mais Médicos, a reconstrução e parcerias nos hospitais federais do Rio de Janeiro e a garantia de medicamentos gratuitos de uso contínuo, além de metas para diagnósticos rápidos de câncer.
Relação com os EUA e política externa
Lula acusou Flávio e aliados de conspirarem contra as instituições brasileiras no exterior. “O seu irmão [Eduardo Bolsonaro] está foragido nos Estados Unidos tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil.”
O presidente também mencionou um míssil inflável levado à manifestação bolsonarista ontem, na Avenida Paulista, com uma mensagem que pedia a Donald Trump um ataque nuclear contra o Brasil. “O que vocês estão fazendo é trair a pátria”, disse.
Lula acusou o adversário de ter pressionado para que os EUA taxassem o Brasil e de ter pretensão de entregar terras raras aos americanos, e perguntou sobre a relação com o presidente da Argentina, Javier Milei.
O candidato do PL citou laços do governo com regimes autoritários de esquerda. “E o seu amigo, que é o Ortega da Nicarágua, um ditador? E o seu amigo, que é o Maduro, que está preso? Esses são seus amigos? Você mandou o seu vice-presidente para visitar a posse do ditador do Irã?.”
O presidente também mencionou um míssil inflável levado à manifestação bolsonarista hoje, na Avenida Paulista, com uma mensagem que pedia a Donald Trump um ataque nuclear contra o Brasil. “O que vocês estão fazendo é trair a pátria”, disse.
Lula acusou o adversário de ter pressionado para que os EUA taxassem o Brasil e de ter pretensão de entregar terras raras aos americanos, e perguntou sobre a relação com o presidente da Argentina, Javier Milei.
O candidato do PL citou laços do governo com regimes autoritários de esquerda. “E o seu amigo, que é o Ortega da Nicarágua, um ditador? E o seu amigo, que é o Maduro, que está preso? Esses são seus amigos? Você mandou o seu vice-presidente para visitar a posse do ditador do Irã?.”
Fim da escala 6×1
O tema foi levantado inicialmente por Lula como uma contradição do adversário. Flávio vinha se posicionando contra o fim da escala 6×1, mas recuou e votou a favor no Senado. Ele afirmou que mudou de opinião após ouvir a população.
“Por que eu votei a favor pra acabar com a escala seis por um? Eu rodei esse Brasil inteiro, eu ouvi você, trabalhador […] Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que, se for convencida, posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros.”
O presidente ironizou a mudança de postura do adversário, apontando que Flávio sempre esteve distante das pautas trabalhistas. “O meu adversário, ele conhece ônibus por literatura, porque ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque ele nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Nunca trabalhou.”
Fonte: UOL