Agentes federais dos EUA matam a tiros mais uma pessoa em Minneapolis

Um homem de 37 anos foi morto durante abordagem de agentes federais enviados pelo governo de Donald Trump, em Minneapolis, nos Estados Unidos, neste sábado (24). O governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, chamou a ação de “mais um ataque a tiros horrível” por agentes federais no estado.

De acordo com autoridades, a vítima é Alex Pretti, um enfermeiro, cidadão americano e morador da cidade. O incidente ocorre duas semanas após um agente do ICE ter matado a tiros Renée Good, cidadã americana também de 37 anos, na mesma cidade.

Em vídeo nas redes sociais, ao menos seis agentes tentam conter Pretti por 20 segundos antes de realizar uma série de disparos contra ele, que fica estendido, imóvel, no chão.

O local do vídeo coincide com o endereço providenciado por autoridades locais em entrevista coletiva, próximo à esquina da avenida Nicollet com a rua 26 Leste. A ação é filmada ainda pelo ângulo oposto, de frente para a ação dos agentes. As imagens, filmadas por diversos ângulos, não sugerem que Pretti tentava agredir os agentes, mas tentado resistir à abordagem dos funcionários federais, que também empurraram uma mulher próxima a Pretti.

“Acabei de falar com a Casa Branca após outro ataque a tiros horrível realizado por agentes federais nesta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”, escreveu Walz no X, logo após o incidente. “O presidente deve encerrar esta operação. Retire os milhares de oficiais violentos e não treinados de Minnesota. Agora.”

Mais tarde, Trump acusou Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também democrata, de insurreição.

Em entrevista a jornalistas, Frey pediu que Trump colocasse “os EUA em primeiro lugar”. “Quantos moradores, residentes, americanos precisam morrer ou serem machucados para que essa operação acabe?”, questionou.

A população local reagiu à escalada da violência protestando na cidade, próximo ao local em que o homem foi morto, encarando temperaturas abaixo de zero em meio a forte nevasca que atinge diversos estados do centro e do leste do país. O local ficou restrito por autoridades federais, e autoridades locais afirmaram durante a tarde que não tiveram acesso ao local da abordagem para investigar o caso.

Em imagens nas redes e nas emissoras de TV locais, a polícia aparece usando gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral para conter os manifestantes. Durante a tarde, agentes federais já haviam deixado as imediações.

De acordo com o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, a polícia conseguiu identificar que o único registro policial de Pretti foi em decorrência de multas de trânsito.

Na entrevista, O’Hara afirmou que uma equipe recebeu chamado às 9h03 (12h03 em Brasília) e, quando chegou ao local, encontrou o homem com “múltiplos ferimentos por tiros”. Ele foi transportado por ambulância ao hospital, onde a morte foi confirmada.

Nas redes sociais, o Departamento de Segurança Interna afirma que a ocorrência aconteceu em meio a uma operação contra um suposto imigrante em situação irregular no país. De acordo com a pasta, um homem se aproximou de agentes com uma pistola semiautomática de 9 mm —imagens disponíveis não parecem indicar essa alegação, e Pretti parece apenas filmar a ação e tentar impedir que os agentes atingissem uma mulher que havia sido empurrada.

Ainda segundo o departamento, houve uma tentativa de desarmar o homem, mas ele teria reagido de forma violenta —o homem resiste à abordagem, mas não há sinais, nas imagens, de que ele tentou agredir os seis agentes sobre ele.

Pretti possuía licença para portar arma de fogo, segundo O’Hara. De acordo com o Departamento de Segurança de Minnesota, é necessária uma licença para portar armas de fogo em público, mas a legislação não exige que se oculte a arma.

Fonte: Folha de S; Paulo

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