PIB pressionou inflação, e juros devem seguir altos, diz presidente do Banco Central a Haddad

O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, diz que a manutenção da taxa de juros elevada pode ajudar a inflação a voltar ao patamar estipulado pelo governo, e que os preços dos combustíveis, serviços e bens industriais, somados ao crescimento acima do esperado do PIB (produto interno bruto), foram alguns dos fatores que contribuíram para o estouro da meta de inflação.

O conteúdo consta em uma carta endereçada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e divulgada ontem, após dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrarem que a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 5,35% no acumulado dos últimos 12 meses, 0,85 ponto percentual acima do topo da meta.

Atividade econômica “surpreendeu positivamente”. Galípolo justifica que o crescimento do PIB superou as expectativas, com destaque para o desempenho da agropecuária e a recuperação do investimento, o que aumentou a demanda agregada. Isso, somado à taxa de desocupação, que caiu para o menor nível histórico (6,2%), e a pressões salariais que superaram a inflação passada e elevaram custos, foram fatores determinantes para o estouro da meta.

A desvalorização do real frente ao dólar ao longo de 2024, “apesar da queda [na cotação do dólar] este ano”, como disse o presidente do BC, encareceu produtos importados.

Impacto cambial atingiu especialmente bens industriais, como vestuário e automóveis, e alimentos processados. Apesar da queda nos preços do petróleo, que ajudou a reduzir parte da pressão sobre os combustíveis, outros itens tiveram aumentos relevantes, como foi o caso do café moído (alta de 77,88%) e da energia elétrica (afetada pela crise hídrica).

Segundo o presidente do BC, as previsões de inflação dos agentes econômicos se mantiveram acima da meta desde meados do ano passado, dificultando “a convergência dos dados”, mas os efeitos de 2024 ainda são sentidos. A inflação passada seguiu impactando preços atuais, especialmente por meio de reajustes automáticos em contratos e salários. O reajuste do salário mínimo em 2025, por exemplo, foi de 7,5%, ou 2,7 pontos percentuais acima da inflação de 2024. Essa elevação pressionou tanto os preços livres quanto os administrados.

Na argumentação das medidas que estão sendo tomadas para devolver a inflação à meta, Galípolo defende a manutenção do cenário atual. “A política monetária deve permanecer em patamar significativamente contracionista [com juros altos] por período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas”, escreveu em um trecho da carta.

Previsão é que inflação só volte à meta no final do primeiro trimestre de 2026. Segundo o presidente do Banco Central, a taxa deve ficar em 4,2%, dentro do limite de tolerância previsto para o período, que é de 4,5%. “O compromisso do Banco Central é com a meta de inflação de 3%, e as decisões são pautadas para que este objetivo seja atingido no horizonte relevante de política monetária”, afirmou.

Fonte: UOL

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