
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta (28) uma megaoperação dividida em três grandes ações simultâneas contra a facção criminosa PCC e outras organizações em um esquema bilionário de distribuição e adulteração de combustíveis em oito estados do país. As investigações apontam movimentações ilícitas de mais de R$ 23 bilhões e sonegação fiscal de R$ 7,6 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais.
As operações Quasar, Tank e Carbono Oculto são realizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina com 14 mandados de prisão, 54 busca e apreensão e bloqueios de bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas.
“As duas operações (Quasar e Tank), embora distintas, têm em comum o objetivo de desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro e envolvimento de organizações criminosas”, disse a Polícia Federal em nota.
Fontes a par das investigações afirmam que o PCC utilizava o esquema para dar legalidade ao dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas, incluindo a adulteração de combustíveis com metanol e nafta distribuídos para todo o país. Com este esquema, a organização eliminou atravessadores no esquema de produção e distribuição.
Já em relação à Carbono Oculto, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirma que “a organização criminosa PCC está associada a uma rede de organizações criminosas, cujos vínculos são estabelecidos de forma permanente ou eventual, e convergente, de modo a assegurar a efetividade das atividades econômicas ilícitas, notadamente por meio da sua inserção na economia formal, como é o setor de combustível e o sistema financeiro”. A facção teria até mesmo comprado usinas de produção de etanol no interior do estado.
A autoridade afirma que o esquema vinha sendo realizado, pelo menos, desde 2019 com a adulteração de combustíveis e a lavagem de dinheiro da organização criminosa. As primeiras informações apontam a participação de 40 fundos de investimentos vinculados a fintechs no esquema com patrimônio de R$ 30 bilhões, algumas delas localizadas na Avenida Faria Lima, na capital paulista, endereço tido como “coração” do mercado financeiro brasileiro, que gerenciariam uma quantia bilionária de investimentos do PCC.
Em uma entrevista coletiva realizada no final da manhã, os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Fernando Haddad (Fazenda) afirmaram que o PCC migrou da “ilegalidade para a legalidade” com uma forte atuação no setor de combustíveis — que vem de anos — e que esta será apenas a primeira de outras ações que devem ser realizadas no futuro com coordenação nacional.
Fonte: Gazeta do Povo