Nobel de Economia elogia Pix e sugere que Brasil criou o futuro do dinheiro

Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de Economia, sai em defesa do Pix e pergunta: “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”. Em sua coluna semanal, publicada nesta terça-feira no subtrack, o americano questiona a situação das criptomoeadas nos EUA e diz que o governo de Donald Trump deveria olhar o Brasil como referência no sistema de pagamento e de inovação financeira. Ele ainda aplaude a decisão do país de julgar seu ex-presidente, no caso Jair Bolsonaro.

Os comentários estão sendo feitos uma semana depois que o governo dos EUA decidiu abrir uma investigação contra o sistema de pagamentos no Brasil, o que poderia acarretar em novas sanções e tarifas contra o país.

O título deixa claro seu elogio: “O Brasil criou o futuro do dinheiro?”.

Seu gancho foi o anúncio, na semana passada, na Câmara dos Deputados dos EUA, da aprovação da Lei Genius, que, segundo ele “impulsionará o crescimento das stablecoins, abrindo caminho para futuros golpes e crises financeiras”. “Na quinta-feira, a Câmara também aprovou um projeto de lei que impediria o Federal Reserve de criar uma moeda digital do banco central (CBDC), ou mesmo estudar a ideia”, disse Krugman.

“Por que os republicanos estão tão aterrorizados com a ideia de um CBDC que estão literalmente ordenando que o Fed pare de pensar nisso?”, questionou.

Segundo ele, em 2022, o “Fed emitiu um relatório preliminar sobre a possibilidade de criar um CBDC, que descreveu como “análogo a uma forma digital de papel-moeda”. “Atualmente, os americanos podem manter e gastar uma forma de responsabilidade do Federal Reserve: pedaços de papel verde com fotos de presidentes mortos. Um CBDC expandiria esse direito, permitindo-nos manter e gastar depósitos no Fed, que, como todos os depósitos hoje em dia, seriam apenas registros digitais”, disse.

“Se isso soa estranho, você deve perceber que já temos o que equivale à moeda digital do banco central – mas apenas para instituições financeiras. Os bancos mantêm contas no Fed e podem transferir fundos entre si por meio de um sistema de pagamentos eletrônicos. Por que não deveriam ser disponibilizados recursos comparáveis para pessoas físicas e empresas não financeiras?”, questionou.

Segundo ele, os republicanos dizem que estão preocupados com a invasão de privacidade, que um CBDC abriria as portas para a vigilância generalizada do governo. “Mas lembre-se, essas são as pessoas que entregaram dados pessoais do Medicaid ao ICE para facilitar prisões e sequestros”, alertou.

“Se você acha que eles estão profundamente preocupados com a vigilância em potencial, tenho algumas memecoins da família Trump que você pode querer comprar”, ironizou.

Segundo ele, o que os republicanos realmente temem, “com razão, é a probabilidade de muitas pessoas preferirem um CBDC a contas bancárias privadas, especialmente, mas não apenas, stablecoins”. “E, em geral, qualquer tentativa de criar um CBDC completo enfrentaria forte oposição do setor financeiro”, constatou.

“Mas e a possibilidade de criar um CBDC parcial? Poderíamos manter contas bancárias privadas, mas fornecer um sistema eficiente e público para fazer pagamentos a partir dessas contas?”, ponderou.

E é neste aspecto que o Brasil é usado como modelo.

“Sim, nós poderíamos. Sabemos disso porque o Brasil já fez isso”, apontou.

“A maioria das pessoas provavelmente não pensa no Brasil como líder em inovação financeira. Mas a economia política do Brasil é claramente muito diferente da nossa – por exemplo, eles realmente colocam ex-presidentes que tentam anular as eleições em julgamento”, disse, numa referência a Jair Bolsonaro.

“E os grupos de interesse cujo poder, pelo menos por enquanto, torna impossível uma moeda digital dos EUA parecem ter muito menos influência lá. O Brasil está, de fato, planejando criar uma CBDC. Como primeiro passo, em 2020 introduziu o Pix, um sistema de pagamento digital administrado pelo banco central”, contou.

Ele compara o Pix a uma “versão pública do Zelle, o sistema de pagamento operado por um consórcio de bancos privados dos EUA”. “Mas o Pix é muito mais fácil de usar. E enquanto o Zelle é grande, o Pix se tornou simplesmente enorme, usado por 93 % dos adultos brasileiros. Parece estar substituindo rapidamente dinheiro e cartões”, disse.

Citando um relatório do FMI, Krugman destaca como as transações Pix ocorrem quase instantaneamente. “Um pagamento Pix é liquidado em 3 segundos em média contra 2 dias para cartões de débito e 28 dias para cartões de crédito”, disse.

Ele também aponta que os custos de transação são baixos. “As autoridades estabeleceram uma exigência de que o Pix seja gratuito para pessoas físicas, e o custo de uma transação de pagamento para empresas/comerciantes é de apenas 0,33% do valor da transação, contra 1,13% para cartões de débito e 2,34% para cartões de crédito”, disse.

“Não posso deixar de notar que o Pix está realmente alcançando o que os impulsionadores de criptomoedas alegaram, falsamente, ser capaz de entregar por meio do blockchain – baixos custos de transação e inclusão financeira”, comparou. “Compare os 93% dos brasileiros que usam o Pix com os 2%, isso mesmo, 2% dos americanos que usaram criptomoeda para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024”, escreveu.

Fonte: UOL

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