Líder autoritária derrubada por protesto da geração Z é condenada à morte em Bangladesh

A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, foi considerada culpada de crimes contra a humanidade e condenada à morte por um tribunal em Bangladesh.

O tribunal especial considerou Hasina responsável por ordenar uma repressão violenta aos protestos liderados por estudantes em 2024, durante os quais a ONU estima que até 1.400 pessoas morreram, a maioria por disparos das forças de segurança.

Assim que a sentença de morte contra Sheikh Hasina foi anunciada, aplausos foram ouvidos dentro e fora do tribunal, como relatou Arunoday Mukharji, repórter em Daca, capital do país.

Hasina classificou a decisão do tribunal como “tendenciosa e politicamente motivada” em um comunicado. Ela foi julgada à revelia e vive exilada na Índia desde que foi deposta do poder.

Por que Hasina estava sendo julgada

O processo contra a ex-premiê girou em torno das acusações de que ela ordenou e supervisionou uma repressão violenta para tentar se manter no poder diante das manifestações de 2024.

A crise começou meses antes, quando Hasina venceu um quarto mandato consecutivo em uma eleição boicotada pela oposição e criticada como fraudulenta. Protestos estudantis contra o sistema de cotas no funcionalismo público — visto por muitos como um mecanismo de favorecimento político — rapidamente se ampliaram para um movimento nacional pedindo sua renúncia.

À medida que as ruas explodiam em atos, Hasina endureceu o discurso, chamou os manifestantes de terroristas e autorizou prisões em massa. Um áudio vazado, cuja autenticidade ela nega, sugeria que a primeira-ministra teria instruído forças de segurança a usar armas letais contra civis desarmados.

Alguns dos episódios mais sangrentos ocorreram em 5 de agosto de 2024, quando a líder fugiu do país e multidões tomaram sua residência oficial. Apenas naquele dia, pelo menos 52 pessoas foram mortas em ações policiais, segundo investigações de direitos humanos.

Promotores afirmam que Hasina e seus principais assessores dirigiram um esquema de violência sistemática, que incluía o uso de munição real para dispersar protestos, execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados ligados ao Awami League (seu partido político). A ex-premiê nega todas as acusações e diz nunca ter ordenado disparos contra civis.

No mesmo tribunal, ela responde a uma segunda acusação de crimes contra a humanidade por desaparecimentos forçados durante seu governo, além de enfrentar um processo separado por corrupção. Seus aliados do Awami League também negam essas acusações.

Fonte: BBC

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