
O governo começou a dar o troco no Centrão e a remontar sua aliança para a disputa eleitoral de 2026. Por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocupantes de cargos indicados por deputados que na semana passada impuseram uma fragorosa derrota à equipe econômica, em votação na Câmara, começaram a ser demitidos.
“Estamos tirando dos cargos os indicados por deputados que votaram contra a Medida Provisória 1303 porque precisamos reorganizar nossa base”, disse ao Estadão a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso. “Quem votou contra optou por sair do governo”, completou ela.
A ação ocorre no momento em que Lula ganha fôlego e começa a recuperar popularidade, como mostram as pesquisas. Até agora, perderam os cargos vários indicados do PP, União Brasil, PSD, MDB e do PL para postos de comando em bancos e estatais como Caixa Econômica Federal, Correios e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além de superintendências regionais no Ministério da Agricultura e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Indicado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), o presidente da Caixa, Carlos Vieira, continua no cargo. Ex-comandante da Câmara, Lira se ausentou do plenário na quarta-feira, 8 – dia da análise da MP 1303, que não chegou nem mesmo a ser apreciada –, e não votou. Sobrou para o consultor de Vieira no banco, José Trabulo Júnior – aliado do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI) –, que perdeu o posto.
Considerada fundamental pela equipe econômica para fechar as contas, a MP propunha alternativas a um aumento maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas foi retirada de pauta em votação na Câmara. O placar contrário ao governo foi de 251 votos a 193.
Na prática, a aliança entre o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro e o Centrão foi decisiva para o revés imposto ao Palácio do Planalto. Com isso, a medida que taxava bancos, bets e alguns ativos financeiros, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Agropecuário (LCA), perdeu a validade.
“Queremos saber com quem podemos contar, quem realmente está com o governo, e isso vale para todos. O corte não é partidário”, disse Gleisi.
Gleisi avisou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que o governo não ficará de braços cruzados diante das traições e também conversou com líderes dos partidos aliados que votaram contra a orientação do Planalto.
Fonte: Estadão