Erika Hilton pede suspensão de Programa do Ratinho após fala transfóbica

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) pediu a suspensão, por 30 dias, do Programa do Ratinho, exibido no SBT. A solicitação foi feita diretamente ao Ministério das Comunicações. A parlamentar alega que o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, cometeu o crime de transfobia ao vivo na edição da última quarta-feira (11).

Erika Hilton diz que houve uso de veículo de radiodifusão, que é uma concessão pública, para propagar crimes contra a comunidade LGBTQIA+. E, diante disso, o fato exige uma resposta contundente. As informações são da coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo.

“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, diz o ofício.

Erika ainda lembrou que esta não seria a primeira vez em que o SBT teria um programa suspenso. Em setembro de 2003, o Domingo Legal, então apresentado por Gugu Liberato (1959-2019), foi proibido de ir ao ar por uma semana por ter exibido a entrevista com falsos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Ratinho cometeu transfobia?

O apresentador Ratinho virou alvo de críticas após fazer comentários transfóbicos sobre a deputada federal Erika Hilton na quarta-feira. A situação aconteceu ao vivo, durante o programa que ele comanda no SBT. “Ela não é mulher, ela é trans”, disparou.

A declaração do comunicador foi feita depois da eleição de Erika como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.

“Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, questionou.

“Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disse ele.

“Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher”, insistiu o apresentador.

“Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar”, reclamou.

A fala repercutiu entre os apoiadores de Erika e gerou críticas ao contratado do SBT.  Após a repercussão da fala de Ratinho, a deputada federal se pronunciou nas redes sociais e valorizou ter virado presidenta da Comissão da Mulher. “Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas”, começou.

“Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada. A raça, a classe, o CEP e tantas outras condições ainda definem, quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade”, afirmou.

Processo

A deputada federal já acionou o MPF (Ministério Público Federal) para investigar Ratinho e o SBT pelas declarações transfóbicas. Ela ainda pediu a abertura de uma ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, a parlamentar quer destinar o valor da indenização ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, para projetos e organizações de defesa dos direitos de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência de gênero.

Fonte: Notícias da TV

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