
As expectativas do mercado financeiro para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2025 já se aproximam da margem de tolerância da meta de inflação. Apesar disso, o BC (Banco Central) mantém a Selic, taxa básica de juros no Brasil, em patamar elevado: 15% ao ano.
Mesmo com a redução nas expectativas de inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC decidiu manter a Selic em 15% na reunião de quarta-feira (5). Ainda há mais um encontro do colegiado neste ano, em dezembro, mas o mercado espera que o juro caia somente em 2026.
Especialistas ouvidos pela CNN Brasil apontam a contradição da política monetária se manter restritiva mesmo com um de seus principais fundamentos apontando o contrário — se a inflação caminha para a meta e o crescimento segue moderado, a manutenção de juros altos deixaria de ser uma ferramenta de controle e passa a funcionar como obstáculo à retomada econômica. Tanto que algumas casas de investimento projetam que a inflação ficará abaixo da tolerância neste ano.
“A grande razão é a desaceleração forte do preço dos alimentos, achamos que vai ter uma surpresa nestes preços. Outro motivo é o câmbio, prevemos que o real mais apreciado pode reduzir os preços de itens importados”, disse a estrategista de inflação da Warren Rena, Andréa Angelo.
O Boletim Focus, que mede o humor de economistas e investidores, mais recente mostrou que a expectativa do mercado é de IPCA em 4,55% ao final de 2025. O centro da meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Para o ex-presidente do BC Armínio Fraga, apesar da queda nos preços, condições estruturais da economia brasileira impedem que o colegiado comece a reduzir os juros imediatamente. O economista aponta o descontrole das contas públicas como o maior vilão.
“Com esse horizonte de política fiscal, o corte de juros seria uma surpresa neste ano. O juro não cai por incerteza, medo. A parte fiscal está fora dos trilhos. O básico seria começar com uma política fiscal que faça a dívida estabilizar”, disse.]
Fonte: CNN