
Lugares onde antes as mulheres não chegavam hoje já são realidade para muitas profissionais das forças de segurança pública de Pernambuco. Um exemplo disso é a agente da Polícia Civil de Pernambuco, Virgínia Cavalcanti Andrade Falcão Ferraz, primeira mulher a concluir o Curso de Operações Aerotáticas do Grupamento Tático Aéreo (GTA), da Secretaria de Defesa Social (SDS). Em 18 anos de atuação do GTA no Estado, nenhuma mulher havia alcançado essa formação, considerada uma das mais exigentes dentro do grupamento e voltada para funções operacionais de elite.
Natural de Petrolina, no Sertão pernambucano, Virgínia tem 34 anos e ingressou na carreira policial aos 26. Antes disso, iniciou uma breve trajetória no Direito, atuando em alguns processos no escritório da mãe. Apesar da experiência na área jurídica, seu objetivo sempre foi outro. “Minha intenção sempre foi seguir nos estudos para concursos públicos, especialmente na Polícia”, contou. Segundo ela, o desejo de ingressar na segurança pública surgiu ainda na faculdade. “Na minha família não havia carreira policial ou militar, mas conheci algumas pessoas e amigos que me inspiraram a seguir esse caminho”, recorda.
Sobre o ingresso na carreira, Virgínia destaca os desafios enfrentados ao longo da trajetória. “Entrar nas forças de segurança pública por si só já é um processo árduo. São anos de estudos, enfrentando provas teóricas, todas as etapas do Teste de Aptidão Física (TAF), além de psicoteste, exames médicos e outras fases. Só quem passa por todo esse percurso sabe o quanto é desafiador conquistar uma vaga na carreira policial”, afirma a agente da PCPE.
Ao disputar uma vaga em um curso operacional tradicionalmente ocupado por homens, os desafios foram ainda maiores. “Um curso desse nível exige comprometimento integral. É preciso colocar a vida em função do treinamento. Os desafios começam com exercícios físicos de alta intensidade, passam pela abdicação de momentos em família e exigem muito autocontrole emocional para lidar com situações de alto risco e níveis extremos de estresse. Além disso, enfrentamos privações de sono, frio, fome e sede durante várias fases do treinamento”, explica.
O Curso de Operador Aerotático (COA) formou um grupo de 16 integrantes das forças de segurança de Pernambuco, sendo Virgínia a única mulher da turma. Durante quase três meses, os participantes passaram por instruções técnicas voltadas para operações em ambientes extremos. “Foram treinamentos intensos, com atividades em altura, rapel, helocasting, que é o salto da aeronave na água, tiro embarcado, orientação para pilotagem em áreas de difícil acesso, além de sobrevivência em ambientes como mata e caatinga e atendimento pré-hospitalar, entre outras técnicas”, detalha.
A extensa carga horária do curso tem como objetivo preparar policiais e bombeiros para atuarem em aeronaves em diversas situações de alto risco, incluindo operações de busca e salvamento, resgates aquáticos, combate a incêndios, suporte aeromédico e apoio às operações de enfrentamento à criminalidade. Com toda a experiência adquirida, Virgínia também deixa uma mensagem às mulheres que atuam na segurança pública.
“Nunca se sintam menos por não exercerem funções operacionais. Na polícia, assim como em todo o serviço público, existe um trabalho muitas vezes invisível, mas igualmente essencial para que tudo funcione. Muitas pessoas tendem a menosprezar as atividades internas, administrativas ou logísticas, mas todo trabalho feito com dedicação é importante”, ressalta.