
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Caixa Econômica Federal para destravar o empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios, após o Tesouro Nacional rejeitar uma proposta feita por cinco bancos (incluindo o Banco do Brasil) por considerar os juros elevados para uma operação com garantia soberana.
Em outra frente, a equipe econômica continua discutindo um aporte próprio na estatal e cogita até mesmo a possibilidade de abrir um crédito extraordinário para liberar recursos de forma imediata, segundo três pessoas a par do tema ouvidas pela Folha. Uma delas relatou que essa opção foi mencionada em reunião da JEO (Junta de Execução Orçamentária) nesta quinta-feira (4), mas ainda não há decisão tomada.
O Executivo vê o dia 20 de dezembro como o prazo final para dar alguma solução à crise. É nesse dia que os funcionários receberão a segunda parcela do 13º salário, e pode faltar dinheiro para honrar o pagamento. Por isso, o tema é tratado com urgência, e os técnicos analisam diferentes alternativas para o impasse.
A Caixa participou das conversas iniciais sobre o crédito, como revelou a Folha em outubro, mas não apresentou proposta concreta em nenhuma das duas rodadas de negociação já realizadas pela estatal de serviços postais. Em diálogos internos, a instituição financeira sempre foi a que manifestou maiores reservas à operação.
Segundo um técnico, o Ministério da Fazenda já vinha sinalizando que a decisão caberia ao banco, mas alertou que a empresa poderia ser cobrada por ficar de fora da operação. A instituição é formalmente vinculada à pasta.
Nos últimos dias, a Casa Civil também entrou no circuito para acionar a Caixa, que agora está disposta a participar do empréstimo dentro dos parâmetros que o Tesouro considera razoáveis —ou seja, cobrando uma taxa de juros menor.
A tabela de custo máximo do Tesouro estipula até 120% do CDI para operações desse tipo, cerca de 18% ao ano. Um retorno entre 118% e 120% do CDI seria considerado adequado, segundo interlocutores.
Para se ter uma ideia, o sindicato de cinco bancos (Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra) que apresentou proposta anteriormente cobrou quase 136% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), ao redor de 20% ao ano.
O custo foi considerado abusivo pelo governo, uma vez que a garantia soberana significa que a União fará o pagamento em caso de inadimplência. Isso torna praticamente nulo o risco de prejuízo para os bancos.
Integrantes do Executivo criticaram o Banco do Brasil por ter chancelado o custo pleiteado pelos bancos privados e defenderam diálogo também com a instituição financeira para esclarecer a situação.
Com atuação mais próxima do governo, a expectativa é que o empréstimo saia até o dia 20 de dezembro, para viabilizar o pagamento em dia dos compromissos dos Correios. Além do 13º salário dos funcionários, a empresa precisa quitar a folha de pessoal no dia 30 deste mês.
Fonte: Folha de S. Paulo